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Segunda-feira, 1 de Março de 2010

ENTREVISTA ESPECIAL

 

Foi com bastante orgulho e alegria que fui convidada para dar uma entrevista acerca deste blog que mantenho há alguns anos. O resultado está à vista na newsletter nº11 da Faculdade de Medicina de Lisboa e passo a transcrevê-lo também aqui.

Aproveito para agradecer a simpatia do convite do Dr. Miguel Andrade, que se lembrou de mim e do meu blog na construção de mais uma newsletter e que me tem dedicado sempre tamanha amabilidade e amizade.

 

Ora aqui está o documento, que também pode ser lido em:

http://news.fm.ul.pt/Content.aspx?tabid=59&mid=360&cid=681

 

"Há vários anos que sigo o “Diário Medicina Preventiva” http://coursejournal_medicina.blogs.sapo.pt/ 

Através dele tenho aprendido muito sobre saúde. 

Devido ao interesse que este blogue me tem motivado, sobretudo, para certas e determinadas questões, resolvi propor à respectiva autora um desafio – responder a algumas perguntas que seriam publicadas na “Newsletter” da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL). 

Talvez pelo facto de ser aluna desta Faculdade e futura Médica, Vânia Caldeira compreendeu, melhor do que ninguém, o espírito das questões que lhe foram colocadas, as quais passo a partilhar convosco:

M.A. - Porquê um Diário de Medicina Preventiva?
V.C. - O Diário surgiu a propósito da Disciplina de Medicina Preventiva, quando era ainda uma “caloira” na FMUL.
A avaliação consistia em escrever um diário, contemplando os temas abordados nas aulas e fazer, ao mesmo tempo, a descrição da nossa vivência diária como estudantes deste curso. À medida que o ia desenvolvendo no PC, lembrei-me que alguns temas teriam interesse para outros colegas, pelo que optei por publicar “on-line”.
Foi, assim, que surgiu a ideia de um diário com o formato de blogue. Porém, quando a cadeira terminou, ficou a vontade de continuar com o projecto, tamanho era o entusiasmo com o mesmo. Assim, decidi não colocar um ponto final, mas sim prosseguir com ele.

M.A. - Do que é que trata este diário?

V.C. - O Diário procura ser um blogue com temas actuais e interessantes sobre a Medicina, explanando-os de forma clara, mas, simultaneamente, rigorosa. Tem uma conotação muito ligada à Saúde Pública, visto que pretende não apenas ser uma ferramenta para alguns colegas da área da Saúde, mas também um importante meio de chegar ao público “comum”. É uma via de sensibilização para doenças importantes e frequentes, para os factores de risco envolvidos nas mesmas e, sobretudo, com conselhos para atitudes preventivas que podem ser determinantes.

M.A. - E a viagem pelo dia-a-dia de uma estudante de Medicina?
V.C. - Creio que essa vertente se terá perdido um pouco mais, pelo menos de forma intimista. Claro que o Diário acaba por ser uma viagem pelo meu dia-a-dia, pois é da minha vivência e daquilo que estudo, que retiro ideias e temas para abordar no blogue.

M.A. - O formato blogue teve alguma razão de ser específica ou foi, meramente, uma ferramenta que estava ali à mão?
V.C. - Foi sobretudo uma “ferramenta que estava ali à mão”. Foi um meio que eu descobrira há algum tempo com outro blogue ao qual me dedico, pelo que me pareceu a plataforma ideal para criar o projecto.

M.A. - Se em vez de Fevereiro de 2007 fosse hoje, o Diário Medicina Preventiva avançava na mesma como blogue ou teria outra forma?
V.C. - Avançaria na mesma como blogue. É um formato que me agrada bastante e com o qual me sinto particularmente à vontade, pelo que não hesitaria em elegê-lo entre o leque de hipóteses.

M.A. - Quem consulta o blogue "Diário Medicina Preventiva" pode estar, neste momento, do outro lado do mundo (a muitos fusos horários), o que me ocorre perguntar qual será o público alvo do "Diário Medicina Preventiva"?

V.C. - Quando o fiz nascer, criei-o sobretudo a pensar nas pessoas que recorrem à Internet para esclarecer algumas dúvidas, obter mais informação acerca de determinados “palavrões” que os médicos dizem, ou desmistificar ideias erradas do senso comum. Porém, ele revelou-se ponto de referência para colegas das diversas áreas da Saúde, o que me deixou muito contente.
Frequentemente, sou contactada por colegas estudantes de Medicina, não apenas portugueses, mas também brasileiros, que mostram um parecer positivo e agradecem o contributo que o blogue lhes dá. Muitas vezes pedem-me mesmo que lhes mande mais informação, artigos ou trabalhos por e-mail. É com surpresa, contentamento e uma pontinha de orgulho, que assisto a esta evolução do blogue.

M.A. - É possível ao autor do blogue ter noção das visitas que ocorrem e da localização dos visitantes?

V.C. - Não tenho propriamente um contador do número de acessos ao blogue ou mesmo o registo da localização dos visitantes. Apenas quando os meus “leitores” entram em contacto comigo, directamente no blogue ou por e-mail, recebo o “feedback” do trabalho que tenho vindo a desenvolver.

M.A. - Os visitantes têm interagido muito ou limitam-se a serem leitores passivos?
V.C. - Todos os dias fico surpresa com a quantidade de comentários que são deixados no blogue. Os leitores são muito interactivos e não se limitam a dar os parabéns ou agradecer pelos conteúdos do Diário, como também são extremamente generosos. Partilham as suas histórias de vida, as suas angústias e receios. Contam o seu percurso médico e os seus diagnósticos. Não sou só eu que lhes dou alguma coisa, eles dão-me muito mais. Eu forneço a teoria, eles dão-me a história na primeira pessoa, o sofrimento associado e a forma como evoluíram as suas doenças. 

É também com muita felicidade que vejo, por vezes, o meu blogue ser ponto de encontro para doentes com patologias semelhantes. Lembro-me, particularmente, de um “post” que uma vez escrevi sobre Síndrome de Marfan, doença classificada como rara, e que desencadeou uma impetuosidade de comentários assinados por indivíduos com esta patologia. Trocaram ideias entre eles e cresceu mesmo a vontade de se organizarem e criarem uma associação portuguesa para a doença. Outra síndrome, com alguma popularidade no meu Diário, é a do cólon irritável, em que os doentes partilham dicas e factores de melhoria da doença, com base na sua história e experiência pessoal. 

Há também casos mais complicados, de grande sofrimento ou ansiedade, que me chegam por e-mail. Cada história marca-me de uma forma muito especial e cria-se um laço entre mim e quem está do outro lado. Procuro desfazer a ansiedade e direccionar as pessoas para médicos especialistas, quando estas se sentem mais desorientadas e desamparadas. É muito gratificante sentir que o meu blogue é útil para estas pessoas.

M.A. - Em que sentido o Diário Medicina Preventiva pode ser, de alguma forma, influenciado pelos seus leitores?
V.C. - Em todos os sentidos possíveis. Por um lado, é criado a pensar nesses mesmos leitores, procurando sempre dar informação útil e compreensível, de fácil acesso, fidedigna e também conselhos acerca dos assuntos que discute. Por outro lado, é influenciado pelos leitores, na medida em que me apercebo dos temas que mais interessam ao público-alvo e procuro ir de encontro aos mesmos. Além disso, tento sempre responder às dúvidas que me colocam, o que também condiciona a informação patente no blogue.

M.A. - Já alguma vez alguém lhe perguntou... não é a autora do "Diário Medicina Preventiva"?... ou, pelo menos num evento social, um estranho que a tenha abordado dizendo: «conheço-a de um blogue qualquer de Medicina, mas não me lembro de qual …» ?
V.C. - Sim, já me ocorreram episódios desse género em congressos com colegas de Medicina de outras Faculdades, que me reconhecem e perguntam se sou “aquela colega que mantém um blogue de Medicina Preventiva”. É muito engraçado quando isso acontece.

M.A. - Em que medida o Diário Medicina Preventiva tem sido uma mais-valia nos estudos?
V.C. - É uma oportunidade de aprofundar alguns temas que se cruzam comigo na minha vida de estudante, enquanto pesquiso diversas fontes para seleccionar o material. Claro que depois procuro resumir o assunto de forma clara e acessível ao público em geral, mas o trabalho prévio é, particularmente, útil para o alargar dos meus conhecimentos.

M.A. - Um blogue, com as devidas regras prevendo essa situação, poderá vir a constituir um elemento válido e comum de avaliação?

V.C. - Nas nossas Faculdades não se alimenta um espírito que dê muito espaço a variações na avaliação. Esta foca-se invariavelmente em exames escritos. De qualquer forma, penso que poderia ser, sem dúvida, uma forma complementar de avaliação.

M.A. - Pode-se considerar que os conteúdos do blogue constituem um auxiliar para os colegas de curso, ou apenas serve de fonte de inspiração que alimente (ainda mais) a paixão pela Medicina?
V.C. - Creio que o blogue se expande em ambas as vertentes. Por um lado, e graças aos temas interessantes e diversificados que aborda, poderá estimular o interesse do público em geral para a Saúde, e de alguns estudantes de secundário para a área médica. Por outro lado, e graças ao “feedback” que me têm dado, sei que o blogue constitui importante fonte de pesquisa, ponto de partida para trabalhos ou para informação acerca de diversas patologias. É, ainda, uma forma de alimentar a minha paixão e o meu interesse pelos temas médicos, através da exploração dos mesmos.

M.A. - E o despertar de vocações, principalmente, entre os leitores mais novos?
V.C. - Gosto de pensar que o meu gosto pela Medicina é contagiante e desperta vocações em quem passeia pelo blogue. A Medicina é uma área riquíssima e apaixonante, que precisa de mais gente com vontade de estudar e trabalhar, pelo que será óptimo despertar eventuais vocações escondidas em estudantes de secundário para a área médica.

M.A. - Cada vez mais os estudantes de Medicina são vistos como jovens muito privados de tempos livres, como é possível uma aluna do 4.º ano arranjar ainda disponibilidade para alimentar um blogue e ainda por cima sobre Medicina?

V.C. - A força de vontade e o interesse pelos temas que exploro são os principais motores deste projecto. Além disso, e com alguma maleabilidade e capacidade de organização, consigo tornar essa falta de tempo relativa e ter tempo para o que mais gosto: ler, ir ao cinema, passear ou escrever nos meus blogues.

M.A. - Há muitos blogues desta natureza ou este é uma originalidade?
V.C. - Não navego muito em busca de blogues do género, pelo que não sei responder com precisão. Há, porém, alguns blogues com um carácter mais específico, dedicados a uma patologia ou a uma área de doenças ou especialidade.

M.A. - O blogue vai morrer com o fim do curso, ou será uma cruzada pelos tempos?

V.C. - Certamente que não irá morrer. Enquanto me sentir apaixonada pela Medicina e considerar fundamental a sensibilização para a Medicina Preventiva e para os temas da Saúde Pública, continuarei a tentar guiar esta missão que me propus. Com gosto em ajudar os outros, esclarecer dúvidas e partilhar conhecimento. Gosto de acreditar que o blogue me acompanhará na minha carreira médica, nem que seja enquanto espaço para os meus desabafos diários ou para as histórias mais marcantes. Tem sido uma viagem enriquecedora e, extremamente, gratificante, que pretendo continuar ao longo da minha vida."

publicado por Dreamfinder às 18:54

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Sábado, 22 de Setembro de 2007

RECEPÇÃO AOS CALOIROS 2007/08

 

O fim de Setembro anuncia não só o trágico fim das férias e o inevitável regresso à faculdade, como também uma realidade bastante mais positiva: a chegada de gente nova.

Solitários, meio (ou completamente) perdidos, olhar no vazio, em busca de algo indefinido, os novos caloiros vão chegando a conta-gotas... Procuram garantir bons horários, ao chegarem extremamente cedo ao átrio da estátua do grande Egas.

O seu olhar é misterioso, mas simultaneamente revelador. Escondem inúmeros receios, dúvidas, incertezas, mas evidenciam o enorme orgulho por estarem ali. Mesmo sem saber como irá correr, mesmo perdidos, mesmo repentinamente colocados num ambiente estranho... o orgulho é incontornável. Afinal eles estão na Faculdade de Medicina. Eles estão onde sempre quiseram.

À medida que nos vêem chegar (nós, os "supostos" doutores, carregando, também sem esconder o orgulho, os trajes académicos) olham de lado, tentam disfarçar a sua indubitável condição de caloiros, tentam fugir...

Os primeiros contactos não são fáceis... É com desagrado que vêem pintar-lhes a cara, os braços com as iniciais às quais ainda nem se acostumaram: FML. Reticentes, vêem-se obrigados a juntar-se a outros caloiros em variadas tarefas, diferentes jogos, originais praxes. Tudo parece desnecessário...

Mas aos poucos o milagre acontece. Inicialmente tímidos, reservados... os caloiros começam a aderir verdadeiramente ao espírito das praxes, à união dos grupos, às brincadeiras. Começam a conhecer-se uns aos outros, a estabelecer os primeiros contactos, a decorar as primeiras caras e os primeiros nomes.

Começam a conviver mais naturalmente connosco (os tais supostos doutores) e a aperceber-se que estamos bem mais próximos do que inicialmente puderiam julgar.

Ao fim de uma semana de praxes, durante as matrículas dos alunos de 1.ºano, posso dizer que a experiência tem sido verdadeiramente gratificante. Ao contrário do que muitos possam pensar, não é o "fazer mal" que é divertido. Sobretudo porque na minha faculdade não fazemos mal. Através de meras brincadeiras (que vão desde jogos de grupo a canções) procuramos integrá-los junto uns dos outros na faculdade, procuramos conhecê-los, dar-lhes a conhecer a faculdade e ajudá-los.

E depois surgem as revelações. Caloiros que mesmo já estando matriculados continuam a ir à faculdade só para as praxes, caloiros que nos dias seguintes são os primeiros a tomar a iniciativa de nos cumprimentar (sem medos nem vergonhas), caloiros que mandam mensagens a contar que chegaram a casa (desde o Porto a Faro, etc...), caloiros que perguntam quando são as próximas praxes ou quando há festas e jantares académicos...

Em todos eles vejo o mesmo espírito que me moveu há um ano. O mesmo olhar inicialmente apavorado e aos poucos familiarizado com o novo ambiente, em muito, graças às praxes. Um mesmo árduo caminho percorrido para ali chegar, as mesmas aspirações, o mesmo sonho por concretizar, as mesmas ambições, os mesmos secretos desejos...

E a sincera vontade de ser feliz no destino que escolhemos.

É isso que desejo a todos eles, novos colegas, (alguns) novos amigos, futuros médicos... que a nossa faculdade lhes traga a todos muito sucesso e felicidade!

 

 

publicado por Dreamfinder às 20:27

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Quarta-feira, 30 de Maio de 2007

HOMENAGEM MUITO ESPECIAL

 

Se, por um lado, este pretende ser um blog sobre Medicina, por outro, é um blog meu, estudante de Medicina na Faculdade de Medicina de Lisboa... Como tal, dou-me ao luxo de fugir a alguns parâmetros...

Como era de esperar, pelo menos no seio da nossa grande faculdade, a Mané foi contemplada com o prémio de Grande FMélica pelo fantástico contributo que dá diariamente à nossa faculdade, particularmente na disciplina de Introdução à Medicina.

Assim, quero deixar também aqui o meu reconhecimento a esta grande pequena senhora da FML pela sua constante disponibilidade, irreverência e simpatia.

Parece-me, no entanto, justo que o pódio seja partilhado pelo seu "colega", o Dr. Miguel, outra personagem fundamental no palco da FML, sempre prestável e omnipresente.

A ambos, um sentido obrigada!!!

 

Já agora passem por:

http://fracturaexposta.blogspot.com/

 

Não se vão arrepender!

 

E porque estou numa de agradecimentos (e porque a foto o justifica) um grande beijinho aos meus colegas e amigos da faculdade, que me aturam dia após dia sem reclamar (por enquanto...).

Um beijinho especial para a Carolina, a Telma, o Fernando, o Francisco, as Joanas, a Rita, ... Obrigada pelo apoio constante!

 

Vânia Caldeira

publicado por Dreamfinder às 16:55

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Terça-feira, 8 de Maio de 2007

TRADIÇÃO ACADÉMICA

 

A Tradição Académica representa a verdadeira alma do estudante, é um símbolo do nosso país, um traço do nosso espírito.

A tradição académica não se esgota na praxe, é a vivência sentida de uma história, de uma cultura.

Em 1228, época marcada pela evolução económica, social e cultural, D. Dinis fundou os Estudos Superiores de Lisboa, aprovados pelo Papa Nicolau IV, em 1290. Devido a distúrbios entre estudantes e a população, em 1307, o rei pede ao Papa para mudar as instalações de cidade, o que só acontecerá em 1308, tornando-se assim a Universidade de Coimbra numa das mais antigas da Europa. D. Dinis ordenou horas de estudo e de recolher. Caso os estudantes não cumprissem eram detidos pela polícia universitária. Como em qualquer outra instituição, foi implementada uma hierarquia, tendo por base o número de anos que o estudante frequenta. Estas e outras ordens que foram instituídas serviriam de base para a praxe. Por exemplo, com a extinção da polícia universitária, surgiram as trupes. A prática da praxe teve alguns interregnos devido a condições políticas, económicas e sociais, como a proclamação da República e a 1 Guerra Mundial.

Os universitários foram, por diversas vezes, exemplo de um espírito inconformista e reivindicativo. Relembremos: o movimento estudantil no "Maio de 68"; o protesto contra a discriminação sexual nas universidades; no início dos anos 60, acções de apoio ao movimento de negros, de defesa do meio ambiente e contra a guerra nuclear; luta contra o salazarismo, a guerra colonial, o regime racista da África do Sul e o fascismo Marcelista; contestação às PGA's e às propinas. Os estudantes estiveram sempre na frente, prontos a lutar pelos seus ideais, por aquilo em que acreditavam.

Durante a ditadura, a praxe teve altos e baixos devido à forte contestação estudantil e à reacção que suscitava. Muitos estudantes sofreram represálias, o que culminou no Luto Académico, em 1969, como forma de protesto à repressão, os universitários suspenderam as actividades académicas. Com o fim do luto, iniciou-se em 1979, em Coimbra, a Ordem da Praxe e Academia por um grupo de Veteranos preocupados com a "perseguição política" e os exageros que caracterizavam a reactiva praxe de Coimbra. Esta expandiu-se por território nacional e internacional (Espanha, Itália, França, Reino Unido, Irlanda e EUA). Actualmente, existem movimentos anti-praxe, nomeadamente, o MATA (Movimento Anti-Tradição Académica) e o Antípodas que, alegando tratar-se de um atentado à dignidade e à integridade física e psicológica, pretendem abolir a praxe. Estes fazem referência ao artigo 37º da Constituição da República Portuguesa, cujo paradigma se pauta pelo direito à livre expressão e garante o respeito pela dignidade da pessoa humana. Apesar das inúmeras tentativas de o abolir, o espírito académico tem resistido aos inúmeros obstáculos.

O seu símbolo máximo é o traje académico e que foi objecto de significativas transformações, no talhe e no aspecto, ao longo dos anos. Reza a história que, no séc.XVI, é introduzida no vestuário a calça. O Clero que dominava o ensino, considerou tal indumentária imprópria, defendendo o uso de uma batina até aos pés, que passou a usar, assim como os estudantes e professores universitários.

Quando é publicado o I Código da Praxe Académica, em 1957, o traje passa a ser uma entidade uniformizadora, permitindo a normalização de estatutos sociais e económicos de todos os estudantes. As normas são explícitas, todas as etiquetas devem ser removidas para não haver distinções, não se pode evidenciar sinais de riqueza, deve-se ser discreto. O traje representa humildade e respeito, deve ser usado com orgulho, nunca com arrogância ou vaidade. Trajados todos são iguais, as pessoas apenas se distinguem pelo que valem, não pelo que têm. Podemos concluir que entre iguais são ímpares, únicos, acreditando-se que daí advém a simbologia do ímpar na praxe. O traje feminino surgiu no Porto.

O "rasganço" após a licenciatura deve ter surgido com a "Farraparia" que durou até 1910, era feita na Faculdade de Direito de Coimbra, após o anúncio do último dia de aulas, em que os alunos do 1º ano esperavam os do 5º, perseguindo-os com a finalidade de lhes rasgar as batinas e as capas. Os cortes na capa têm um significado, são feitos pela família (lado esquerdo), amigos (lado direito) e pelo(a) companheiro(a) (centro).

As fitas são uma consequência da pasta dos meados do século passado que tinha três laços de fita da cor da Faculdade para prender as duas partes que a compunham. A tradição de as queimar remonta à década de 50, do séc. XIX. Mais tarde, vieram as Festas do Ponto (Latadas, Centenários da Sebenta e Enterro do Grau). O primeiro acto conhecido das festas ligadas à queima das fitas, já com programa estruturado, data de 1901. A partir de 1926, os grelos passam a queimar-se no "penico", motivo pelo qual é símbolo praxístico; como a tesoura, que as trupes usam para o rapanço; a moca; e a colher, que está relacionada com o nascimento das tunas, que se deu em Espanha, onde os estudantes que eram muito pobres, andavam de porta em porta, a tocar e a cantar, com uma colher a pedir sopa. As fitas, assim como a semente, a nabiça, o grelo, a cartola e a bengala, são insígnias, representando o ano que se frequenta.

Após vários incidentes, durante as semanas da queima, por actos menos próprios de parte a parte, surge uma novidade. A Faculdade de Medicina, na qualidade da mais antiga do Porto, em parceria com Letras e Ciências, está a iniciar na praxe cerca de 60 pessoas de Arquitectura, do 1º ao 5º ano. O saldo, segundo os que aderiram, "é positivo pois permite conhecer mais gente numa semana do que em todo o curso, no verdadeiro sentido da palavra, pois há um forte companheirismo". Acerca das reacções dos restantes, "há ainda um longo caminho a percorrer até que o facto seja, simplesmente, tido em consideração, mais por parte de professores do que dos alunos. Há ideias pré-concebidas, muitos nem tentam saber do que se trata, negando algo à partida. Os media têm o seu quinhão de culpa ao noticiar apenas o lado negativo por ser o mais rentável. Apesar disso, admitem que, "por vezes, há abusos de autoridade que se traduzem em incidentes graves." Mal interpretada por uns, mal exercida por outros, a praxe académica é e sempre será um terna controverso, objecto de debate. Dizem que para quem não acredita nenhuma explicação é possível e para quem acredita nenhuma explicação é necessária. Talvez seja isso que acontece com a praxe, para quem não a vive é inconcebível, mas para quem a vive é incontestável.

O que é certo é que aproveitaremos estes 6 anos de curso para viver intensamente a tradição académica.

Porque acredito nela, porque sei que ela representa valores estudantis inabaláveis, ideais que nunca pdoerão ser calados, forças que podem vencer sempre! A tradição académica é o que somos, é o que nos traz aqui. A vida passa depressa demais para que a evitemos, para que fujamos de tudo o que tem para nos oferecer. E acredito plenamente que a nossa vivência da tradição académica será certamente algo que nunca esqueceremos pela vida fora.

Por isso, e como me disseram aquando do traçar da capa: “Nunca deixes morrer a tradição académica!”

 

“Além das aptidões e das qualidades herdadas,

 é a tradição que faz de nós aquilo que somos.”

Albert Einstein

publicado por Dreamfinder às 15:02

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Terça-feira, 6 de Março de 2007

GALA MÉDICA 2007

Apesar de estarmos cheios de trabalhos para fazer, não deixámos de ir ao “acontecimento social” do ano da Faculdade de Medicina, a Gala Médica. Todos deslumbrantes, os rapazes de fato e gravata (pareciam verdadeiros senhores doutores) e as raparigas ostentando lindíssimos fatos, a Gala foi, sobretudo, uma noite de convívio e descontracção, como muitos de nós já não tinham há algum tempo.

E o melhor de tudo foi o facto de a nossa turma ter comparecido em peso. Perante a grande ausência de estudantes da Faculdade de Medicina de que desconfiámos antecipadamente, no acontecimento que reúne alunos também da faculdade de Ciências Médicas, decidimos combinar todos não faltar ao evento. E assim foi… Apesar do muito reduzido tempo para comprar a roupa de gala, devido ao teste de Anatomia que foi na segunda-feira, ninguém quis falhar ao compromisso.

Dançámos, divertimo-nos, tirámos imensas fotos, vimos muita gente conhecida e, sobretudo, evitámos falar dos estudos.

Ao fim de umas boas horas de dança e convívio, decidimos recolher… Foi mais uma fenomenal festa da nossa faculdade. Agora, resta esperar pelas Olimpíadas. Até lá, estudar, estudar e… estudar!

“Quem não sabe ser feliz em nada pode contribuir para a felicidade.”

André Gide

publicado por Dreamfinder às 20:20

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